Final Fantasy XIII

Final Fantasy XIII

Vários anos após o lançamento para as consolas, e também a versão para PC, finalmente vou fazer a review a esta versão de Final Fantasy XIII. Finalmente tive a força de vontade necessária para experimentar este jogo. Jogo esse pertencente e uma das minhas sagas favoritas de videojogos, Final Fantasy, mas que por vários motivos evitei e inclusivamente adiei. Foi uma viagem a fundo por aquilo que este jogo consegue dar.

FINAL FANTASY XIII

Este era o Final Fantasy que eu, PUMPUM, estava mais reticente a jogar. Agora que passei a linha não há volta a dar. E há que ter a mente bastante aberta, bastante aberta. Isto no que diz respeito aos Final Fantasy e ao que se espera, por padrão, em cada jogo desta saga. Pode causar choque a muito fã mais “tradicional”. E quando saiu causou. A mim causou. Estranhamente, ou não, com o decorrer dos minutos de jogo comecei a entrar no esquema. Não quero dizer que me tenha arrebatado a todos os níveis. Longe disso. Há muita coisa que não gosto e aqui terei a chance para o enumerar. Agora vem daí pela minha viagem neste jogo, vários anos após o seu lançamento e duas sequelas.

Final Fantasy XIII começa por nos largar de cabeça neste mundo em que há uma guerra não se sabe bem do quê contra quem nem porquê. Existem várias facções com diferentes métodos e interesses a servir um qualquer fim que não se percebe bem como e porquê. Sim, é mesmo assim. Nunca tinha estado perante um Final Fantasy que me mete no meio da acção sem qualquer tipo de informação útil sobre os acontecimentos que estou a viver ali. O jogo tem a audácia de tratar o jogador como um telepata que percebe tudo o que ali está em causa. E não. Larga-nos, completamente desamparados, num mundo em que não nos diz quem é o quê e quem.

Em Final Fantasy XIII temos que andar ali a vaguear, por muitas horas, até se conseguir juntar alguma peças de puzzle para ter um entendimento mínimo. O entendimento mínimo é mesmo mínimo porque a informação é tão complexa, não por o ser em génese mas pela forma atabalhoada que nos é apresentada e dada, que ficamos sem perceber mais de 70% do que move o mundo, as pessoas, os personagens e diferentes facções. E a mitologia deste mundo de Final Fantasy XIII é das mais completas que já vi num final Fantasy. Mas pela fraca forma como é contada e montada.

Levar com Pulse, Gran Pulse, Cocoon, L’Cie, Fal’Cie, C’ieth, Cocoon L’Cie, Pulse L’Cie, entre outros, assim do nada sem perceber o que é e de onde vem e para que serve confunde o jogador. E cria uma grande barreira para manter o interesse. Não me perguntem o significado de todas as palavras acima mencionadas que ainda não consegui processar as mesmas nem as colocar no contexto de Final Fantasy XIII. Outro foco que este jogo mostra e tira partido como nunca antes é o de ter uma muito maior carga dramática. E de ter os personagens separados em vários grupos durante bastante tempo até haver reunião de todos para progredir na história.

GRÁFICOS

Final Fantasy XIII

Visualmente Final Fantasy XIII está naquilo que era de esperar para a altura do seu lançamento. Mesmo com os upgrades presentes na versão PC Steam nota-se que estamos perante um jogo que saiu nos tempos da PlayStation 3 e XBox 360. Se há coisa que notei visualmente é que Final Fantasy XIII mesmo com os melhoramentos dados, e que podem ser dados adicionalmente nas definições, nalgumas cutscenes nota-se claramente que as texturas não estão trabalhadas para a resolução e detalhe mais elevado escolhido. Não é que me tenha estragado o jogo. Mas é que se numas aparece correctamente não percebo porque não aparece a imagem bem definida em todas as cutscenes.

JOGABILIDADE

Final Fantasy XIII

Final Fantasy XIII tem vários pontos que não me agradaram na sua jogabilidade. O primeiro deles é de que este vasto mundo é tratado de uma forma tão linear, mas tão linear, que parece vazio de vida. Sim, para ter seis personagens a ser o mal de todos os males do mundo, não existe, ou não aparenta existir, população em número e visibilidade suficiente para sentir esse medo que a história quer passar de forma incessante. E são raras as vezes em que somos colocados em locais com população à vista ou a circular livremente. Inclusivamente para interagir. E isto é algo completamente novo para mim num jogo Final Fantasy.

O MUNDO

Final Fantasy XIII

Cresci a jogar Final Fantasy e um ponto em comum, e característico, desta saga é a interacção com o mundo em que estamos. Aqui isso foi deixado de lado. Daí dar matéria para substanciar a minha teoria de que isto não é um Final fantasy, mas sim um RPG com elementos de Final Fantasy para então poder levar com o título de Final Fantasy XIII. Por exemplo, Final Fantasy X é igualmente um jogo linear na progressão que nos dá como jogadores no mapa mundo. Mas as localidades estão cheias de vida. Até os caminhos para muitas das localidades estão cheias de vida e chances para interacção. Aqui não. E isso é um entrave ao envolvimento emocional que se cria – e se espera – de jogar um final Fantasy.

Final Fantasy XIII aparenta não ter tido qualquer problema em quebrar com aquilo que é a tradição – ou alguma tradição – característica da saga. Estamos perante um jogo que nos leva por vastas áreas, todas elas com bom nível de detalhe, mas invariavelmente são corredores longos, não muito largos, onde o factor principal não é a exploração. É percorrer e pouco mais para chegar do ponto A ao ponto B e então haver luta com um boss intermédio ou final do capítulo para abrir o leque de progressão de mais habilidades, em parte, inspirado no sistema de classes usado em Final Fantasy X.

Não existe a liberdade de movimento, exploração e interacção a que os fãs mais antigos da saga Final Fantasy estão habituados e esperam. Porque a espetativa é de que certas coisas se mantenham porque são os fundamentos que servem de base. Aqui não. É andar, e andar, e andar, pelo caminho lutar e lutar para progredir. Sim, desta forma repetitiva. Havia necessidade disto? Acho que não. Gostava que o jogo desse um mapa mundo, uma noção de localização geográfica. Mas não o faz. O que é outro dos pontos à tal quebra da tradição num Final Fantasy.

SISTEMA DE COMBATE E PROGRESSÃO

Final Fantasy XIII

Nunca tinha jogado um Final Fantasy que colocasse um bloqueio à progressão dos personagens. Sim, em Final Fantasy XIII chegas a um ponto que não podes progredir mais as habilidades e capacidades dos teus personagens porque o jogo só abre caminho a mais após progressão na história. E isto acontece em várias fases. Qual o mal nisto perguntas tu? Muito simples. Isto força a que as lutas com os boss intermédios e finais de cada capítulo possa ser, e é, estupidamente difíceis e complicadas quanto até podem e devem oferecer algum obstáculo, mas não tão grande como acontece aqui.

Os combates são ultra rápidos. E o jogo quer que se tire partido dessa velocidade o máximo possível para dar a melhor pontuação possível, porque com essa pontuação, por via de estrelas, depende a quantidade de pontos recebidos para progredir os atributos de cada personagem. Só controlamos directamente as acções de um dos personagens em batalha. Esse personagem até determinada parte do jogo é dado o papel de líder da equipa automaticamente. Mais tarde então é-nos dada a possibilidade de formar a equipa, o seu líder, o sistema de classes de cada um dos personagens a usar em batalha consoante o paradigma escolhido. É uma mecânica interessante. Gostei. Não me custou muito a entrar no esquema. O que não gostei deste esquema foi mesmo o bloqueio de liberdade de escolha de paradigmas, classes e progressão. Que só se abre mais tarde no jogo.

Os Eidolons marcam presença em Final Fantasy XIII. Só podemos chamar à batalha o Eidolon do personagem que está como líder, ou seja, quem está sob o nosso controlo directo. E esta chamada está condicionante dos Pontos Técnicos que se tem e se o personagem já obteve ou não o controlo sob o seu Eidolon. Para se ter o controlo do Eidolon há que sobreviver ou derrotá-lo na batalha em que surgem pela primeira vez. Existe um número mínimo para permitir a chamada de um Eidolon para a batalha e após esses pontos gastos é preciso mais umas quantas batalhas ou tempo a batalhar para recarregar a barra novamente.

A participação dos Eidolons em batalha é um passo em frente ao que foi introduzido em final Fantasy X. Aqui, em Final Fantasy XIII, o Eidolon entra em batalha, tem a vontade própria que lhe é dada pela IA do jogo e nós continuamos a combater com o nosso personagem. É um parceiro de batalha, mas com mais capacidade de dano, mais rapidez e variedade de habilidades. Mas a sua presença tem um tempo limite que deve ser bem utilizado para se activar um modo especial para aplicar mais dano considerável no ou nos adversários. Apesar de ser um sistema de batalha focado, e muito, na acção, o nível de estratégia é necessário. Combates à louca dão direito a vários ecrãs de Game Over.

OUTROS PONTOS DE NOTA

Final Fantasy XIII

Os combates podem ser aleatórios. Mas os inimigos estão à vista e espalhados pelos caminhos das áreas por onde navegamos. Por isso a causa de surpresa é mínima. Os baús também estão espalhados pelos caminhos ou cantos com menor visibilidade. Em Final Fantasy XIII recomendo vivamente a abertura de todos os baús que encontrarem. Nunca tinha jogado um Final Fantasy com tanta escassez de moeda de jogo e itens. O jogo cria um enorme obstáculo à obtenção e poupança de moeda de jogo. Bem como quanto à obtenção, compra e uso de itens está montado de forma a que o seu uso seja desconsiderado durante uma batalha. A sério. O jogo quer, quase à força, que se usem habilidades que faz o mesmo que os itens.

Os pontos para guardar a progressão no jogo são muitos e estão uniformemente espalhados. Nestes pontos é onde é permitido fazer compras de itens, armas e acessórios para batalha. Como também para upgrade ou desmantelamento das armas e acessórios que temos. Aqui a progressão das armas e acessórios assenta num sistema inteligente de já vi parecido ser feito noutro RPG da Square, falo de Vagrant Story para a PlayStation original. Vários elementos que nos são dados após as batalhas e até podem ser adquiridos, mas a elevado custo, fazem subir atributos de experiência em cada arma ou acessório, cada elemento faz subir o XP mais ou menos, e com cada progressão de nível de arma a sua eficácia em termos de força e magia sobe.

SOM

Final Fantasy XIII

A banda sonora de Final Fantasy XIII é tudo aquilo que se pode esperar e exigir. Grandes melodias que assentam na perfeição no tom e mundo que o jogo nos dá. Os temas de batalha, tanto normal como de boss, estão lá topo dos meus gostos. E entram para a minha lista de favoritos das faixas das diferentes bandas sonoras de Final Fantasy. Há uma mistura de estilos. Dos temas orquestrados, pelos mais ambientais, passando pelos temas mais electrónicos e os industriais. Mas todos assentam bem e não destoam.

As vozes e representação dos actores estão muito boas. Cada um tem um tom característico que assenta na perfeição no perfil e personalidade do personagem. Embora se goste, e eu não estou imune a isso, mais de uns do que de outros. Mas no geral o trabalho aqui feito nesse campo está muito bom.

TRAILER OFICIAL FINAL FANTASY XIII

Trailer Oficial  para Final Fantasy XIII versão PC Steam.

VEREDICTO FINAL FANTASY XIII

Final Fantasy XIII

É Final Fantasy XIII um mau RPG? Não. Não acho. Sinceramente. Considero Final Fantasy XIII um bom Final Fantasy? Não. Não o é. Criei confusão? Eu explico. Final Fantasy XIII foi um claro corte com vários elementos que tradicionalmente fazem parte desta saga. Não sou inteiramente contra mudanças- Aliás, até sou a fazer de mudança regular sustentada em evolução. Aqui há evolução, muita mudança. Mas a dose a meu ver é excessiva e acaba por dar mais deméritos do que méritos ao jogo. Não admira que o jogo tenha dado tanto que falar por meter fãs, novos e antigos, com posições tão distantes. Existem jogos Final Fantasy que são polarizadores. Sempre existirão enquanto a saga for produzida. Final Fantasy XIII é mais um desses casos, a juntar a tantos outros.

Mantenho a minha tese. Este é um bom RPG de acção, tem uma boa história em que a mesma está contada de forma confusa e não de forma a confundir. Porque até gosto de histórias em que sou levado na confusão, e há vários Final Fantasy que tiram partido disso, sendo Final Fantasy VII um dos maiores casos desse tipo de narrativa. Agora tratar o jogador já como um conhecedor de um mundo completamente desconhecido não dá para criar logo uma ligação ao que se está a passar. Final Fantasy XIII agarrou-me mais pela sua acção contagiante e viciante do que propriamente pela forma estudada e estruturada que a sua história, personagens e mitologias deveriam ser apresentadas.

Este jogo poderia, e a meu ver deveria, ter outro nome. Bastava não ter os escassos elementos de Final Fantasy na história, porque na jogabilidade não existem assim tantos. Podia ter esse tal outro nome e era bom à mesma. Assim parece um RPG orfão e a servir de prato para o nome Final Fantasy e com isso potenciar vendas. Vendas essas que foram boas. Não há volta a dar. Agora vou pensar se valerá ou não o tempo necessário para jogar Final Fantasy XIII-2. Será uma sequela capaz de me dar uma experiência ao nível do que vivi com XIII? Ou está na altura de ir para o Final Fantasy XV? Ou, para finalizar, está na altura de regressar a outro Final Fantasy que não me soube bem? Falo de Final Fantasy XII.

O TEU COMENTÁRIO É IMPORTANTE

Final Fantasy XIII

Esta foi a review à versão PC Steam de Final Fantasy XIII. Concordas com o veredicto? Não concordas com o veredicto? Já jogaste Final Fantasy XIII? Já jogaste algum Final Fantasy? Deixa a tua opinião, comentário ou sugestão em baixo nos comentários. Tenho todo o gosto em ler e responder. Podes seguir a actividade do blog do PUMPUM nas redes sociais. Tens em baixo o link directo para todas as presenças que tenho. Publico por lá com regularidade. Podes também sugerir conteúdo aqui para o blog do PUMPUM que se enquadre. Fica bem, até ao próximo post no blog!

Facebook | Twitter | Google+ | Instagram | YouTube | Steam | Twitch | Pinterest | Reddit | TumblrFeed RSS

Comentários

Partilhe com um amigo